Projeto doa acervo de exposição fotográfica para a Coordenadoria Regional de Educação

Mostra foi contemplada pelo Prêmio Nodgi Pellizzetti de Incentivo à Cultura de Rio do Sul 2020




Durante o mês de julho foi realizada a Exposição Fotográfica Schützenverein - Clubes de Caça e Tiro de Rio do Sul 115 anos de história, memória e identidade cultural, na Galeria de Artes Arno Georg da Fundação Cultural de Rio do Sul.


Apesar do encerramento da exposição, o projeto terá continuidade ainda por muitos meses. Foi realizada hoje, 04 de agosto, a doação das 60 fotografias impressas em PVC, além das descrições em braile, para a Coordenadoria Regional de Educação de Rio do Sul. Participaram deste momento o proponente do projeto contemplado na Edição 2020 do Prêmio Nodgi Pellizzetti de Incentivo à Cultura de Rio do Sul, Rodrigo Färber e a educadora Ana Leticia Wloch de Oliveira, que é responsável pela Educação Especial e Nepre da Coordenadoria Regional de Educação de Rio do Sul.


Nos próximos meses, a exposição estará circulando nas escolas estaduais de Rio do Sul, podendo ser disponibilizada posteriormente para escolas municipais e universidades. “Quando a equipe planejou o projeto no ano passado, jamais imaginaríamos que ainda estaríamos enfrentando o momento adverso da pandemia no segundo semestre de 2021, que dificultou a visita de mais alunos. A doação do acervo para a coordenadoria oportuniza a possibilidade de mais estudantes terem acesso ao conteúdo histórico, com o diferencial da acessibilidade e da inclusão dos deficientes visuais na cultura de Rio do Sul”, destaca o proponente do projeto Rodrigo Färber.


De acordo com o historiador Jonas Felácio Júnior, a visita de associados dos clubes de caça e tiro e de pessoas da comunidade geraram novas perspectivas, em termos de continuidade do projeto. Os visitantes sugeriram que as fotos da exposição fossem colocadas em alguma rede social, possibilitando que sejam nomeadas as pessoas que aparecem nessas imagens históricas.


“Através da fanpage a comunidade poderá interagir e acrescentar informações que auxiliem ainda mais no registro da história de Rio do Sul. É fundamental destacar a importância dessas agremiações para o município, são mais de cem anos de história e devemos valorizar a dedicação das pessoas que deram continuidade a essas tradições, que foram iniciadas no tempo da colônia”, ressalta.


Um dos diferenciais desta iniciativa cultural diz respeito à descrição feita em braile por Tayla Kuhnen, para possibilitar a inclusão dos deficientes visuais em atividades culturais. A pedagoga que é deficiente visual comenta sobre a sua participação nesse projeto cultural: “participar da exposição foi uma realização profissional e pessoal. Como pessoa com deficiência, sempre tive vontade de participar de uma exposição e através deste trabalho pude prestigiar essa exposição, essas fotos que foram cuidadosamente produzidas. Então me sinto muito feliz com esse projeto. Uma realização profissional, porque sempre tive o desejo de trabalhar com o braile, dentro da Pedagogia que é minha área de formação, quanto em exposições culturais. Então poder levar o braile pra essa exposição, levar acessibilidade a outras pessoas foi uma experiência gratificante. Esse trabalho foi uma experiência incrível, a exposição superou as nossas expectativas, lembrando que estamos numa pandemia, então a gente conseguiu atingir um público muito bom, e saber que esse material vai ser disponibilizado nas escolas, é uma coisa que me deixa muito feliz, porque acessibilidade é um direito e o braile merece ser reconhecido por todos. Então, quando as pessoas chegavam na exposição e ficavam emocionadas com o nosso trabalho, a gente até se emocionava junto, porque é uma experiência única, a primeira de muitas”, ressalta.


O presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência em Rio do Sul (CMDPD), Michel, afirma que o projeto Schützenverein representa um marco para a cidade de Rio do Sul, por várias questões: “uma delas, é que essa exposição fotográfica traz um resgate da nossa história, nós temos a oportunidade de dialogar por meio dessas fotos, com os nossos avós, bisavós, com aqueles que estiveram aqui, com aqueles que fundaram a nossa cidade, e que encontraram nessas atividades de Caça e Tiro, um modo de expressar e viver sua cultura. Também foi uma ótima oportunidade de nós nos encontrarmos com uma tradição que quer ser transmitida, com um legado que precisa ser preservado e passado para as futuras gerações, e esse projeto vem nos mostrar isso, essa história que quer dialogar conosco, e que quer ser preservada.


De acordo com Michel, outra questão que é importante desse projeto é justamente essa preocupação com a acessibilidade e inclusão: “porque uma exposição, um evento de artes, só realmente pode ser considerado, um evento inclusivo, quando todas as pessoas puderem contemplá-lo, cada uma a sua maneira e a realizar-se esta exposição, com acessibilidade, com a descrição das imagens em braile, as pessoas com deficiência visual também são convidadas a participar desta história, a conhecer um pouco mais sobre a história, a conhecer um pouco mais sobre a nossa região. Chama a atenção o detalhamento como essas fotos foram descritas, de modo que elas foram esquadrinhadas, de modo com que as pessoas com deficiência visual conseguem ter uma compreensão completa das fotos. As vezes no chegamos a ter fotos que deram 8 páginas em braile, mas tudo isso justamente para que a pessoa com deficiência possa ter uma compreensão mais abrangente possível. Então, sem dúvida, é um projeto que é um marco pra cidade de Rio do Sul, ideias como essas, precisam ser incentivadas, precisam ser passadas adiante, para que o povo, as pessoas mais jovens possam ter contato com a sua história e para que as pessoas com deficiência aqui dessa cidade possam se sentir incluídas. Que Rio do Sul possa ser uma cidade pioneira, em termos de inclusão e de acessibilidade, eu tenho fé nisso, eu sei que nós podemos conseguir isso e todos dialogando e pensando juntos, nós vamos trazer acessibilidade e cultura para Rio do Sul.


Texto e informações: Jonas Felácio Jr


Tiago Amado

Equipe de Comunicação

Fundação Cultural de Rio do Sul

(47) 3521 7702 / 98806 6114